|
O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, negou hoje que a decisão anunciada pelo Governo de adiamento por dois anos de duas das três linhas ferroviárias de alta velocidade seja discriminatória do Porto.
"Não há da parte do Governo qualquer discriminação em relação ao Porto", afirmou António Mendonça, no final da sua primeira reunião com a Junta Metropolitana do Porto (JMP), realizada na capital nortenha.
O ministro justificou a manutenção dos calendários previstos para a linha Lisboa-Madrid com o facto de ser um projeto que "já está em marcha", ao contrário das linhas Lisboa-Porto e Porto-Vigo, que ainda não têm qualquer concurso lançado.
"Significa que não fomos enganados ontem. Já andávamos a ser enganados há vários anos", comentou o presidente da JMP e da Câmara do Porto, Rui Rio, recordando que foi o Governo socialista que decidiu avançar com a linha Lisboa-Madrid mais depressa do que as restantes.
Rui Rio reafirmou que "o Norte está a ser claramente discriminado", não só nas linhas ferroviárias como também na cobrança de portagens nas até agora autoestradas sem custos para o utilizador (SCUT).
"Sobre as portagens, dissemos que só podemos compreender e aceitar desde que o critério seja igual a todo o território", afirmou, numa alusão ao facto de o Governo não ter intenção de introduzir portagens na Via do Infante, no Algarve.
Rui Rio referiu que o ministro concordou que o critério deve ser igual, mas não deu quaisquer garantias de que o irá aplicar a todas as SCUT.
Relativamente à futura gestão do Aeroporto Sá Carneiro, Rui Rio notou "uma evolução do ministro Mário Lino para o ministro António Mendonça", dado que este já não tem a "posição fechada, contra a Área Metropolitana do Porto", que tinha o seu antecessor.
"Este ministro disse que iria analisar com cuidado os nossos argumentos. Disse que estaria tudo em aberto", afirmou Rui Rio, recordando que a JMP defende uma gestão autónoma do Aeroporto Sá Carneiro.
António Mendonça afirmou que as preocupações de Rui Rio "não têm razão de ser", dado que a decisão recentemente aprovada pelo Conselho de Ministros sobre a privatização da ANA - Aeroportos de Portugal prevê uma "gestão integrada" com "mecanismos locais/regionais" de participação.
"As preocupações que o presidente da Junta Metropolitana manifestou não são preocupações válidas", salientou António Mendonça, escusando-se, contudo, a dar mais esclarecimentos, por ainda estar a ser estudado o modelo de transação da ANA.
|